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HOMENAGEM A ANÍSIO TEIXEIRA

Publicado em 12/07/2019 às 13:21 | Acessos: 343


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Professora Dra. Eva Waisros Pereira

 

          Nesta data – 12 de julho  completam-se cento e dezenove anos do nascimento de Anísio Teixeira, o grande educador que sempre sonhou com uma educação pública gratuita, laica e de qualidade, e lutou, incansavelmente, ao longo de toda a sua vida, para concretizar esses ideais, tornando-se o principal responsável pelas transformações da educação brasileira no século XX.

            Com base na filosofia pragmatista de Dewey e a partir da leitura sociológica que realizou sobre a realidade nacional, Anísio Teixeira sempre fez a defesa intransigente da educação pública, do jardim da infância à universidade, para atender a todos os brasileiros, independentemente de classe social, raça, sexo ou credo.

            Desde a década de 1920, ainda jovem, participou ativamente do movimento de intelectuais que pleiteava a renovação social por meio da educação, opondo-se, radicalmente, ao caráter discriminatório da educação de elite então vigente. A intenção de Anísio Teixeira era democratizar e transformar a educação brasileira, para a construção de uma sociedade  democrática, mais justa e igualitária, uma vez que entendia a educação não só como produto de mudanças, mas sua geradora. Segundo afirmava: “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”.

            Assim, movido por propósitos nobres e ajustados às exigências do desenvolvimento socioeconômico, cultural e político daquele período histórico, o educador consagrou-se como um dos ilustres signatários do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, de 1932, ao lado de Fernando Azevedo, Paschoal Leme, Lourenço Filho, Cecília Meireles  e outros, visando universalizar a escola pública, laica e gratuita e tornar a educação uma prioridade nacional.

            Sua presença marcante no cenário educacional, cultural e científico abrange a sua contribuição como pensador, nos escritos que nos legou sobre educação, filosofia, ciência, cultura e tecnologia, assim como as iniciativas por ele empreendidas como administrador público e que resultaram em realizações significativas. Citem-se as reformas educacionais realizadas na Bahia, em dois momentos distintos (1924-1928/1947-1951) e no Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal (1931-1935), que promoveram o crescimento e a melhoria das respectivas redes de ensino público. Assinalem-se, ainda, a criação da Universidade do Distrito Federal, em 1935, que elevou pela primeira vez o curso de formação de professores ao nível superior e, em 1951, em Salvador, Bahia, a criação do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, a primeira Escola Parque – modelo anisiano para a educação primária no país.    

            De 1952 a 1962, o educador esteve à frente da direção do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP, órgão que atualmente tem o seu nome. Como notável realizador, Anísio Teixeira procedeu à descentralização e diversificação das atividades inerentes à instituição, mediante a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e dos Centros Regionais de Pesquisas Educacionais da Bahia, de São Paulo, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. A intenção era pesquisar, planejar, sugerir e recomendar com vistas à almejada reconstrução educacional.  A par de centenas de estudos, pesquisas e análises produzidos pelos Centros, foram também ofertados cursos de aperfeiçoamento e especialização para milhares de professores de todo o Brasil assim como, produzidos, editados e distribuídos livros didáticos e materiais de ensino às escolas, entre outras ações voltadas para a valorização profissional dos docentes e elevação dos padrões educacionais do país.

            Em 1957, ainda na Presidência do INEP, o educador formulou um plano de educação revolucionário para a nova Capital,que se configura como síntese das idéias de renovação educacional do Brasil. Elaborado em consonância com o plano urbanístico da cidade e tendo por base omodelo da Escola Parque da Bahia, o sistema educacional proposto para Brasília conta com escolas de educação integral e em tempo integral para alunos e professores. As novas responsabilidades da escola eram, portanto, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso era preciso mudar a escola.

            Apesar da competência, dedicação, honestidade e, sobretudo, do entusiasmo que Anísio Teixeira sempre demonstrou em suas realizações, o educador teve de enfrentar, muitas vezes, embates e dura oposição às suas idéias, havendo, inclusive, em determinadas ocasiões, interrompido a sua atuação e se afastado da vida pública. Essas ocorrências deram-se em períodos ditatoriais, como o do Estado Novo, e mais recentemente, durante os governos militares pós 1964, quando o educador foi destituído da função de reitor interino da Universidade de Brasília, assim como do cargo que exercia na Presidência do INEP.

            Anísio Teixeira morreu no Rio de Janeiro, no dia 11 de março de 1971, em circunstâncias trágicas e ainda não totalmente esclarecidas. A despeito das tentativas de silenciar o seu pensamento e a grandeza de sua obra educacional, certamente o seu exemplo e a sua dignidade permanecerão na memória dos educadores brasileiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Anísio Teixeira/Universidade de Brasília. Arquivo Central. AtoM UnB