Programa Educativo - Educação Ambiental

A Educação Ambiental é uma proposta moderna que surge da preocupação da sociedade com o futuro da vida, tendo como objetivo fomentar outros sensibilidade, cognição e sentimento de mundo. A leitura do meio ambiente é a primeira que fazemos antes de qualquer tipo de letramento e centra-se na experiência vivida e compartilhada.

 

A Política Nacional de Educação Ambiental, objeto da Lei 9795, entende por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à qualidade de vida e sua sustentabilidade. Suas práticas devem favorecer as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seu ambiente biofísico.

 

Somos parte de uma totalidade biológica e cultural, com dimensões planetária e cósmica. O sentido de pertencimento reconecta o significado das bases biológicas e culturais que sustentam as sociedades humanas que pelo distanciamento e fragmentação se apartaram das forças constituintes da vida.

 

O desafio é pensar e construir propostas pedagógicas que articulem educação, cultura e ecologia para ressignificar a relação humanidade e natureza. Como promover uma educação que favoreça o aprendizado das coisas a partir da vida cotidiana? Como contribuir para estimular soluções solidárias e criativas diante das questões ecológicas contemporâneas? São algumas das questões que mobilizam os educadores ambientais em qualquer lugar do planeta. Agir local e pensar global é um princípio do movimento ecológico dos anos setenta que ainda hoje orienta as atividades de Educação Ambiental. O que nos leva a pensar a Educação Ambiental no Museu da Educação.

 

No Chão do Museu

 

O MUDE será implantado no Parque Ecológico e Vivencial da Candagolândia, situado no primeiro núcleo habitacional de Brasília. Esse sítio histórico e ambiental guarda importantes referências do patrimônio ambiental e cultural em diálogo nas múltiplas atividades educativas do Museu. Algumas estratégias pedagógicas de Educação Ambiental podem contribuir nesse diálogo.

 

A observação do território é uma das estratégias de aproximação com os ciclos da vida e enraizamento na base biológica que nos caracterizam. Observar de forma participante, sincronizando pensamento, sentimento e sentido de mundo, mobiliza uma relação de pertencimento com o lugar. A observação funciona como ponto de partida para transformar um local em um lugar. O pertencimento emerge pelo reconhecimento de identidades comuns de pessoas e territórios.

 

Algumas paisagens naturais foram reconstruídas pelo trabalho humano. Em civilizações mais antigas, o que pensamos natural é fenômeno cultural de jardinar os lugares. Por exemplo, a pedra fundamental da Educação Ambiental do Museu foi o plantio de 2.460 árvores nativas no espaço projetado para o Jardim do Cerrado. Buscou-se reconstruir a paisagem natural em uma área degradada onde pessoas da comunidade jogam entulhos.

 

Pesquisar a memória do ambiente, por meio da escuta dos mais velhos, da pesquisa em documentos e jornais de época, nos ajuda a compreender outros modos de vida, bem com a mudanças da paisagem e da cultura local ao longo do tempo. O que confirma, mais uma vez, a impossibilidade de fragmentar o pertencimento ecológico e cultural.

 

Leituras da paisagem podem e devem ser feitas na área do Parque e na área urbana para levantamento das características naturais e urbanas da Candagolândia. Um dos objetivos dessa leitura é observar os aspectos históricos, culturais, ambientais de uma região e da sua comunidade. Entrevistas biográficas com os moradores, suas narrativas e vivências do lugar ampliam e aprofundam as leituras da paisagem.

 

Em Educação Ambiental busca-se partir do corpo como uma unidade perceptiva e inteligente capaz de enraizar os processos de aprendizagem. Os meios pelo qual os seres humanos respondem ao meio ambiente podem variar de acordo com a apreciação visual, estética e corporal de um lugar. A intenção é religar a teia da vida com a teia da cultura, criando redes intersubjetivas a partir das nossas corporeidades. As atividades artesanais também reúnem corpo e cultura na produção de artefatos, invenções e mudanças.

 

Precisamos de soluções criativas para temas sociais concretos e para invenção de projetos de vida local capazes de articular os laços afetivos e estéticos com nossa cidade, nosso patrimônio material e imaterial, com os rios da nossa infância, com a nossa paisagem afetiva por meio de vivências compartilhadas na territorialidade que habitamos.